domingo, 26 de novembro de 2017

Heróis à moda antiga


Uma pequena surpresa: um óptimo filme de pelotão à moda antiga entre os bombeiros americanos, uma boa história bem contada com gente lá dentro.

Só Para Bravos

JORGE MOURINHA 21 de Novembro de 2017

Tanto andamos nós a queixar-nos de que Hollywood já não faz aqueles filmes de “meio da tabela”, sólidos mais do que geniais, eficazes mais do que espectaculares, carpinteirados mais do que colados com cuspo, que chega a ser irónico quando aparece um e ninguém liga. É o caso de Só para Bravos, impecável “filme de pelotão” à moda antiga sobre o “novato” (Miles Teller, de Whiplash e Marcas de Guerra) que procura a redenção no serviço abnegado altruísta e vê o seu novo chefe (Josh Brolin em grande forma) dar-lhe a oportunidade e até picá-lo para dar o seu melhor.


Acontece, no entanto, que apesar de ter tudo do filme de tropa Só para Bravospassa-se no meio do combate aos fogos, dobrando a história do novato com a tentativa de uma brigada de 2ª classe de Prescott, no Colorado, atingir o estatuto almejado de brigada especial florestal. E é também uma história verídica — os Granite Mountain Hotshots do filme existiram realmente e o filme de Joseph Kosinski, baseado num artigo da revista GQ e feito com a cooperação das autoridades locais, acompanha o seu percurso ao longo de um ano, até à tragédia da montanha de Granite em 2013, na qual 19 bombeiros perderam a vida.


No papel, tudo isto corre o risco de cair muito facilmente nas convenções chapa-quatro da edificante história verídica, ainda por cima entregue nas mãos de um realizador que até aqui conhecíamos precisamente do cinema de efeitos especiais de encher o olho (Tron: O Legado, 2010; Esquecido, 2013). Na prática, Só para Bravos é um bicho completamente desfasado dos nossos dias, história seca e (apesar do “epílogo”) sem pingo de azeite sobre irmandades viris e masculinas onde as mulheres (quase, quase Hawksianas — é ver a personagem de Jennifer Connelly) têm uma palavra a dizer e não se ficam por ser meros acessórios (aliás, não se ficam, ponto final). 


E é uma celebração do profissionalismo responsável e silencioso como nos últimos anos só Michael Mann continua a acreditar em fazer. Previsível? Só para Bravosé-o, mas é-o dentro de uma fórmula que Hollywood praticamente abandonou — e esse apego a uma lógica de boas histórias com gente dentro chegaria para lhe prestarmos mais atenção do que o título genérico e o marketing a despachar dão a entender. A mais-valia é que — surpresa! — o filme é mesmo bom, e vale três ou quatro super-heróis de linha de montagem. A ver, sem reservas (e apesar do título português traduzido às três pancadas).

Só Para Bravos

Título original:Only the Brave
Género:Drama, Biografia
Classificação:M/12
Outros dados:EUA, 2017, Cores, 133 min.

No dia 28 de Junho de 2013, um raio dá origem a um incêndio perto da cidade de Yarnell, Arizona (EUA). Com a conjugação de ventos secos e temperaturas elevadas, o fogo rapidamente se alastra por uma enorme extensão de território, ficando fora de controlo. Para o combater, é chamada uma unidade de elite da corporação de bombeiros de Prescott, constituída por 20 elementos. Estes homens são uma espécie de "tropa de choque" cujo treino especial os capacita a responder a situações de perigo extremo. Corajosos e com um grande sentido de dever, cada um deles vai fazer o possível para enfrentar aquela imensidão de chamas e salvar as populações e os seus bens…
Realizado por Joseph Kosinski ("Tron: O Legado", "Esquecido"), segundo um argumento de Ken Nolan e Eric Warren Singer, um filme dramático que se baseia no artigo "No Exit", de Sean Flynn, publicado na revista masculina "GQ", sobre acontecimentos reais. O elenco inclui com Josh Brolin, Miles Teller, Jeff Bridges, Taylor Kitsch, James Badge Dale, Jennifer Connelly, Alex Russell e Ben Hardy.






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