sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

E se a poesia não passasse de uma boa desculpa para sacar miúdas?

Desconstrução inspiradíssima do academismo sob a forma de uma comédia romântica que só aos poucos se revela como tal, acompanha o modo como uma série de alunas fazem as vezes de “musas” do seu professor.

JORGE MOURINHA  7 de Julho de 2016


E se a poesia não passasse de uma boa desculpa para sacar miúdas? “Eu estou aqui para semear dúvidas”, diz Raffaele Pinto, verdadeiro professor universitário que representa uma versão falsa de si mesmo no delicioso filme de José Luis Guerin, ficção que chega a “fingir que é dor a dor que deveras sente”.


Desconstrução inspiradíssima do academismo sob a forma de uma comédia romântica que só aos poucos se revela como tal, acompanha ao longo de um semestre o modo como uma série de alunas que frequentam o curso de Pinto fazem as vezes de “musas” do professor. Ou seja: esta é a história de um professor pinga-amor e das mulheres que se deixam levar na sua cantiga. Altura em que a esposa diz, pragmaticamente, que “o amor é uma invenção da literatura”, ao que o marido todo lampeiro responde que “os poetas escrevem na linguagem do amor”. 


E se a poesia não passasse de uma boa desculpa para sacar miúdas, e se tudo não passasse de um permanente jogo galante? Guerin convida-nos a jogá-lo e saímos dele deliciados com um dos grandes momentos de cinema do ano.


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