sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Cinco filmes marcantes de Manoel de Oliveira

Durante a sua carreira como cineasta, Manoel de Oliveira filmou 32 longas-metragens. Até à sua morte, ocorrida esta quinta-feira, dia 2 de Abril de 2015, era considerado o realizador mais velho do mundo em actividade. Destacam-se aqui cinco filmes que marcaram a sua carreira. Do primordial Aniki Bóbó ao polémico Sapato de Cetim



Aniki Bóbó (1942)

A primeira longa-metragem de ficção de Manoel de Oliveira. Aniki Bóbó é baseado no conto Os Meninos Milionários de João Rodrigues de Freitas. Conta as aventuras e os amores de um menino pobre da cidade do Porto. Segundo os críticos e historiadores de cinema trata-se de um filme percursor do neo-realismo italiano. Manoel de Oliveira repudiou esta catalogação.



Non a Vã Glória de Mandar (1990)

A guerra colonial é o pano de fundo para o realizador se abalançar a contar a epopeia de Portugal, construída a partir das grandes derrotas. A história é reconstruída e narrada por um oficial aos seus camaras, durante uma patrulha na savana. Este acaba por morrer numa embocada no dia em que Portugal se faz a revolução, ou seja a 25 de Abril de 1974. "O Non avança muitos anos, de maneira que estamos atrasados em relação ao Non. O Non baseia-se nas derrotas. As derrotas são mais ricas que as vitórias. As vitórias trazem a alegria, o riso, o contentamento... E muitas vezes desvarios. A derrota chama o homem a si próprio, faz pensar na sua situação, no quão vão é o esforço da vitória", disse Manoel de Oliveira sobre o filme.




Vale Abraão (1993)
Filme baseado num livro com o mesmo nome de Augustina Bessa Luís. Conta a história de Ena, uma mulher de uma beleza ameaçadora, que João Botelho classificou numa entrevista ao Negócios como uma Bovary do Douro. É a história de uma mulher que anseia pelo amor mas que se casa por conveniência e apenas vive o amor que tanto procura em sonhos. Acaba por morrer depois de se ter vestido como se fosse a um baile.




O Sapato de Cetim (1985)
Na sua versão original o filme, (uma co-produção franco-portuguesa) tem a duração de sete horas e foi assim que foi apresentado durante uma sessão na Cinemateca Nacional. Tem planos longuíssimos e a profundidade de campo das cenas é conseguida, não pela câmara, mas pela movimentação de cenários. É por isso um filme de natureza teatral, baseado no livro de Paul Claudel, "Le Soulier de Satin". O filme conta a história de um amor impossível entre o jesuíta Don Rodrigue e Doña Prouhèze, o qual só se realiza à distância.



Um Filme Falado (2003)

Conta a história de um cruzeiro de uma mãe e de uma filha pelo mar Mediterrâneo. Um Filme Falado, escreve-se na revista brasileira Contracampo "é uma grande escultura, um monumento que abre a boca num último clamor diante da barbárie que bate à porta. Materialista e sem pressupostos de moral, Oliveira entrega sua mensagem universalista ao mesmo tempo em que renova sua profissão de fé no cinema como arte inclusiva (catalisadora de todas as artes) e perspectiva (faz reflectir sobre todas elas e sobre si própria)".



 

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