quarta-feira, 24 de junho de 2015

Laura Antonelli Morreu um dos últimos ícones do cinema italiano



JORGE MOURINHA  22/06/2015

Laura Antonelli (1941-2015) A actriz de Malícia e Pecado Venial faleceu no esquecimento e na reclusão aos 74 anos de idade

A actriz no filme Malícia (1973)

Laura Antonelli foi um dos ícones do cinema italiano dos anos 1970, a mulher cuja beleza fazia todos sonhar e foi aproveitada à exaustão por comédias brejeiras que viajaram pelo mundo. A sua popularidade fez esquecer que também foi dirigida por autores conceituados como Claude Chabrol, Luchino Visconti, Luigi Comencini ou Ettore Scola.

Jean-Paul Belmondo e Laura Antonelli em 1976

Mas, afastada dos écrãs na sequência de problemas judiciais na década de 1990, a actriz foi esquecida pelo mundo, retirando-se para uma casa de Ladispoli, nos arredores de Roma, onde vivia reclusa.

Foi nessa casa que Laura Antonelli foi encontrada morta pela empregada da limpeza na manhã desta segunda-feira, aos 74 anos de idade. A actriz terá morrido de enfarte, segundo declarações dos serviços sociais locais, citadas pelo jornal Corriere della Sera.
actriz Laura Antonelli, "sex symbol" do cinema italiano

Laura Antonelli ficou na memória como a maior das divas eróticas europeias na década de 1970 – a última década em que a cinematografia transalpina conseguiu um tal impacto internacional. A imagem sexy colou-se-lhe de vez em Malícia (1973), comédia de Salvatore Samperi onde interpretava uma governanta desejada pelos vários homens da família onde estava empregada, mas já vinha de trás – de títulos como A Minha Mulher é um Violonsexo(1971), de Pasquale Festa Campanile, ou Sexo Louco (1973), de Dino Risi, que só vimos em Portugal depois do 25 de Abril.


A sensualidade da actriz, nascida Laura Antonaz em 1941 em Pola, vinha em grande parte da sua formação como professora de educação física, e começou por ser posta a bom uso em fotonovelas, anúncios e pequenos papéis de figuração; As Sensuais Espias do Dr. Goldfoot (1964), de Mario Bava, marca o seu primeiro papel de nota no grande écrã.

Apesar de ser mais recordada hoje por comédias como Malícia ou Pecado Venial (1974, também dirigida por Salvatore Samperi), Laura Antonelli rodou igualmente com autores reconhecidos. Para além dos mestres da comédia italiana - Dino Risi em Sexo Louco (1973) e Loucas Aventuras de Amor e Sexo(1982), Luigi Comencini em Meu Deus, Ao Que Eu Cheguei! (1974) ou Ettore Scola em Paixão de Amor (1981) – a actriz foi dirigida por Luchino Visconti em O Intruso (1976) e Claude Chabrol em A Casa dos Desejos (1972).


Foi por alturas da rodagem deste último que iniciou uma relação romântica com o actor francês Jean-Paul Belmondo, de quem foi companheira até 1980. Durante a década de 1980, limitar-se-ia praticamente a fazer valer a sua popularidade de objecto de desejo em comédias brejeiras, e o seu último grande êxito no grande écrã foi na comédia-mosaico da dupla Castellano & Pipolo Grandi Magazzini (1986).

1991 foi o annus horribilis para a sua carreira: ao insucesso de uma tentativa de “sequela” de Malícia, Malizia 2000, que a levou igualmente a arriscar cirurgias estéticas que tiveram consequências desastrosas, somou-se a sua condenação por um tribunal a uma pena de 42 meses de prisão por posse e tráfico de estupefacientes, após terem sido descobertas 36 gramas de cocaína em sua casa nos arredores de Roma.


Antonelli recorreu da sentença e passaria a década de 1990 em longos trâmites judiciais até obter em 2000 a sua anulação, reconhecendo-a consumidora mas não traficante, mas recusando-se a ressarcir a actriz pela totalidade dos danos causados à sua vida e carreira.

As sequelas psicológicas e financeiras do processo, que implicaram inclusive estadias em hospitais psiquiátricos, levaram-na a retirar-se definitivamente do olhar público e a refugiar-se na religião, recusando todas as solicitações que lhe fossem feitas.

Quando, em 2010, o seu colega Lino Banfi lançou uma petição para que o Ministério da Cultura ajudasse a actriz, Laura Antonelli disse publicamente agradecer a simpatia mas não necessitar de tal ajuda, pedindo que a esquecessem definitivamente.

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